quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Meio ao nada.


Medrosamente eu me deparava que estava em um lugar central de tudo, bem ao meio em que um dia poderia dizer nunca visitar, afinal não tem como chegar por meios fáceis do dia a dia, difícil de encontrar esse lugar, até quando eu deparei que era bem no meio do nada. Olhava a direita era limpo, pra esquerda mais limpa, pra frente tinha um horizonte, mas sem nada a ter um ponto de fuga, e atrás eu só percebia que me distanciava de tudo. Esse era o modo em que disse que qualquer ser desse universo sentiria medo, já pensou você travar e ter de ficar naquele lugar? Nem nos maiores pesadelos eu pensava naquilo, mas até que bem longe, mais de milhares e milhares de passos eu notei uma singela figura, foto, paisagem, seja la como eu poderia definir aquela visão. Era como se eu tivesse encontrado a imagem mais perfeita que eu já havia enxergado, era a visão mais bela que um ser humano poderia presenciar. Nela não havia muros, não havia bloqueio algum, não havia multidões, simplesmente não havia nada, então o que me impressionava na verdade era o quanto ela estava longe de mim, e que eu nunca poderia no fim chegar nela. Nesse momento me senti meio louco de pensar que poderia estar tão extasiado com alguma coisa que eu não poderia ficar perto, eu não poderia em si ter em mim ou comigo, era uma mistura de alegria e frustração, que me decidi em ficar observado por mais um tempo. Dava uma piscada para trás e voltava a olhar para frente, percebia o quão longe eu estava da onde eu parti, e quão longe eu estava dessa imagem, era como se eu estivesse em um ponto central, ou na metade de um percurso, mas eu estava completamente errado. Percebia que a imagem estava se cansando de tantos observarem ela, e bem devagar ela ia deixando de brilhar tanto, deve ser complicado ter tanta gente olhando pro mesmo ponto, achando que aquilo vai dar uma revira volta nela mesma, oooooo pobre imagem, deve sofrer uma pressão imensa. Assim voltei para o mais interior que eu poderia ficar comigo, fiquei em silencio e parei de olhar para trás, e muito menos para frente para não colocar essa pressão na imagem, decidi que aquela era a hora de me concentrar no meio, que era onde eu estava, e onde eu deveria saber mais sobre ele. Os três pontos estavam se cansando, começaram a deixar de brilhar tanto como brilhavam há algumas horas atrás, e então voltei a olhar os três pontos e notei que era realmente um meio ao nada onde eu estava.  A frente era idêntica a parte de trás, os lados se dividiam, mas era tudo igual, então depois de alguns momentos me deparei que quando eu cheguei bem no meio do nada bem ao centro de tudo ou do nada, onde tinha alegria e pavor, onde eu olhei para o meu interior e depois para a imagem, no tempo do piscar dos olhos, eu finalmente me encontrei.

Matheus Hodniuk. 

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