A
emoção tomou conta do mundo no fatídico dia primeiro de junho desse ano, o ano
que o vermelho do Liverpool pintou todas as paredes e os corações de seus fãs,
com o título da Champions League. O caminho com diversas lombadas e vários
buracos em uma estrada dificultada pelos anseios e por um extraterrestre não
conseguiu tirar a taça de nossas mãos. A história se iniciou com um grupo da
morte, ao lado de um time multi milionário com diversas estrelas, outro com uma
raça azul e todo elemento que a Itália lhe prove, e um que tem um caldeirão
como Maracanã de estádio, onde ferve seus oponentes e serve ao jantar. Me
lembro da primeira partida, Roberto Firmino havia se lesionado e estava de
volta no banco, o jogo em Anfield estava empatado, enfrentávamos o tão temido
PSG, cheio de dinheiro e muitas estrelas, porem entra o nosso sorriso

e faz um
golaço cortando para dentro da área, ali se iniciou uma emoção sem tamanho que
com certeza iria percorrer todo o trajeto, mas ali eu senti que havia algo a
mais no time, as lágrimas do ano passado haviam se tornado algo mais forte, uma
combustão estava a caminho. Se passa os dias, alguns erros em jogos em que não
poderia despistar a atenção, mas aconteceu. Fim de fase de grupos, jogaríamos
contra o Napoli precisando vencer sem tomar um gol, para que não corresse algum
risco de não classificar, e então aparece nosso rei egípcio, Salah, corta pra
dentro de biquinho entre as pernas do goleiro, a torcida treme o estádio,
gritos ecoam dentro de mim até que explodo junto a todos mesmo a milhões de
quilômetros longe, estávamos nos

classificando para o mata a mata. Passa-se a
fase pegaríamos os bávaros, o poderosíssimo Bayer de Munique, um dos times mais
copeiros e que qualquer time tem muita dificuldade de se enfrentar
principalmente em terras alemãs! Mas a nossa fé estava blindada, a nossa fênix
estava pegando mais fogo do que nunca, Mané decidiu, o diabinho de Liverpool
fez questão de fazer um gol de letra em um dos melhores goleiros na nossa
geração, assim acabou deixando mais fácil a partida de volta em casa e sua
classificação. Mais um avanço, agora enfrentaríamos os dragões portugueses, de
novo enfrentaríamos o Porto em uma fase mata a mata, e de novo não se tomou conhecimento
do adversário, estávamos pegando fogo e muito focados em avançar e ir de passo
a passo a final, o caminho era banhado a ouro desde o início, classificados sem
um esforço tão grande. Agora vem o episódio mais forte e intenso de toda a
caminhada, começou em Barcelona, Camp Nou, partida de ida das semi finais, ali
havia tanto sentimento em uma partida, reencontro de quem preferiu sair do
clube meramente atrás de um crescimento apenas financeiro e midiático, largaram
mão de fazer história e sim tentar ser uma história. Partida se inicia, não
estávamos bem desde o início, time espaçado e nervoso, o sistema de marcação
estava bem postado mas ofensivamente nem sombra do que estávamos fazendo até
então em uma temporada brilhante na Inglaterra. Uma espetada de lança e Suarez
furou meu coração, fazendo o jogo ter um tom de derrota muito forte pela apatia
de alguns jogadores não conseguirem jogar o que sabiam. Em uma falta o ET de
Barcelona fez um gol que nem se houvesse três goleiros em campo conseguiria impedir
o gol, seguido de mais uns minutos o mesmo ET faria mais um gol, três a zero e
o time imensamente desnorteado em campo, a melancolia era vista na face de
todos que vestiam vermelho nesse dia. O jogo da volta pareceu uma eternidade a
chegar, nessa eternidade houve mais problemas, Firmino com
uma lesão não
jogaria, Salah com uma concussão não poderia também, a missão era muito
difícil. O dia chegou, a torcida gritava em plenos pulmões o hino do clube,
Anfield Road tremia, o palco estava pronto, em cada rosto você sentia
esperança, amor, paixão, e muita vibração. Quando You’ll never walk alone toca,
eu dificilmente seguro minha emoção, eu choro mesmo, eu vibro e solto toda
minha alma, e nesse dia eu fiz isso e vibrei mais do que o normal, eu sentia
que poderíamos fazer um milagre. O jogo se inicia a ferocidade do time era
nítido nos primeiros toque, em pouco tempo o abençoado Origi vê a bola e o gol
livre para ti, e marca o primeiro tento para nós, gritamos e vibrávamos, COME
ON LIVERPOOL, COME ON! O jogo apesar de muito intenso estava muito difícil
pelas peças de xadrez que o Barcelona soube escalar, mas nossa alma estava mais
elevada em todos os momentos, Fabinho nesses momentos estava anulando o ET de
Barcelona,

ele não tinha espaço algum! Tempo passa, entra Wijnaldum no jogo,
contestado pelo jogo anterior, em seu primeiro toque na bola fez o segundo gol
do time e em seu terceiro toque em menos de 5 minutos fez o terceiro gol do
time, empatávamos no agregado, eu sai de dentro do meu corpo, de alguma forma pude
sentir Anfield em mim. Passa-se o jogo, os minutos eram muito rápidos, como em
uma luta de boxe tínhamos de finalizar logo o oponente que estava prestes a
cair de nocaute, por isso surge o menino prodígio Alexander Arnold, em um
momento de extrema inteligência cruza rápido a bola na área e de novo o
abençoado Origi empurra para as redes, assim era o placar que precisávamos,
assim acontecia o maior milagre do futebol que eu estava assistindo e vivendo.
Apita o arbitro, escorrem as lagrimas, o grito enfurecido se dissipa pelos
cânticos de You’ll Never Walk Alone, eu canto com minha alma junto a torcida, o
elenco foi em fila cantar junto dos torcedores, nesse momento eu senti, ali
havia o time com mais alma no mundo, eu estava orgulhoso de ser esse time, não
torcer, eu sou o Liverpool, tudo em mim reflete a esse time, eu me senti e
sinto ainda um cara infinito. Passou dias desse jogo que será marcado na
história pra sempre, chega a final, enfrentaríamos um time que é conhecido e
conterrâneo na Inglaterra, o novato Tottenham chegou na final também. Mas nós
havíamos perdido por detalhes a um ano atrás o título, nosso rei do Egito havia
se lesionado em um lance maldoso e não finalizou o jogo naquele ano, mas esse
seria diferente. O jogo se iniciou, as torcidas dando um show e de repente, um pênalti
para nós em menos de cinco minutos, Salah pega a bola, bate e comemora, solta
tudo que estava preso a um ano dentro de si, o sorriso dele é o sorriso de boa
parte vermelha no mundo. O jogo se desenrolou com uma partida memorável do
Alisson, nosso paredão da retaguarda, mas tínhamos de finalizar o oponente,
então entra o abençoado Origi

e o que acontece é história, ele fez mais um gol
decisivo, assim fez com que nos tornássemos campeões, os reis da Europa. Os
jogadores caem no chão aos prantos de tanta emoção e alegria, o nosso capitão
Henderson é nitidamente emotivo ao extremo, e vê-lo erguer a taça foi uma cena
das mais lindas que já pude ver. O time tem muita alma, o time é muito
psicológico, ele é muito forte e tem um treinador que sabe como abusar de tudo
isso e fazer o time crescer mais ainda. É a sexta orelhuda do Liverpool, e eu
me sinto mais vermelho do que nunca, como lema de nunca caminhar sozinho eu
também nunca abandonei e nunca irei abandonar nenhum deles. Eu amo esse time,
amo sua história e amo o seu futuro que pra sempre será comigo. Que pra sempre
o vermelho transborde para todos, e sintam como o Liverpool é pura paixão e
alma, somos mais que um time, somos uma família e isso importa muito mais.