Mas o mundo gira e o tempo não para nem por um segundo, nem
por um segundo. Ao final de tudo é normal aquele pensamento "e se eu tivesse
feito isso", aquilo ou aquilo, e no fim você talvez não vos tenha feito. A
sensação de mais um ciclo se terminando é de extrema força em nós, saibamos
usar essa força para nos levantar ao invés de nos derrubar, o mundo gira, gira,
gira. De intensas desilusões esse ano passou, forte como nunca fazendo sangrar várias
feridas em que me ative no ano inteiro, já notou o quando podemos sangrar?
Então talvez esse foi o ano que eu aprendi isso, não foi a forma nem um porque,
mas eu sangro e eu vibro, eu vibro forte como uma nevasca ou uma intensa
tempestade, vibro e vibro. Mas hoje é a última fagulha, o ano que finaliza com
meu número da sorte está escapando por entre meus dedos como areia, agora eu
seguro apenas algumas migalhas por questão de horas, nem isso vou segurar mais,
a emoção toma conta. Enquanto tento contar as migalhas em minhas mãos, o filme
passa em minha cabeça, do último ano novo, engraçado que penso quem era aquela
pessoa a um ano atrás, eu desconheço. Uma evolução gigantesca nos assola dia e
noite, por 365 vezes, o tempo não para pra você se estabilizar e deixar a
monotonia do seu viver te deixar mais tranquilo, o tempo é matador, e as
lagrimas jorram ao lembrar disso. Como o tempo é magnifico e tão sepultante, a
força que ele nos mostra tende sempre a deixar um suspiro entalado no fundo do
coração, sabe o aperto no peito de não ter falado naquele momento, espero que
daqui a algumas horas você fale, pode falar pro seu peito desanuviar. O medo me
bate à porta, quando eu atendo é o futuro me dizendo pra eu caminhar, diz que são as minhas pernas que eu tenho de usar e conduzir meu caminho, mas eu sei, eu
não estou sozinho, como a tinta marcada em minha pele, diz a frase que eu nunca
vou caminhar sozinho, nunca vou caminhar sozinho. Falando em solidão, já pensou
o quanto você é cheio de companhia estando sozinho, ali no seu quarto olhando
para as paredes enquanto seu disco favorito toca, fazendo as batidas em sua
perna e rindo de um trecho que te lembra a um lugar, situação ou pessoa, memórias,
memórias, memórias. Nós nunca seremos solitários,
já note que os céus estão de olhos em você e toda a constelação de quem já
partiu e te olha de cima, as vezes eu só queria um abraço de quem já está lá,
mas vos sinto dentro do meu coração, paz. Nisso se vão as pessoas, adentram
outras, mas e as marcas que cada uma tem dentro da gente e ficam pra sempre vai
ser o seu maior tesouro, mesmo que por um tempo você não percebe isso, mesmo
que ainda jorre o sangue da sua ferida, deixe jorrar. Agora olhe para trás, viu
o tanto de gente que esse ano passou em sua visão? E esse tanto de gente te tem
em sua visão, no fundo nunca somos meras lembranças esquecidas, as memorias
revivem quando você apertar o seu gatilho, como as pessoas, as tristezas, as
alegrias, as emoções em geral, que saibamos usar o gatilho de forma certa daqui
algumas horas, depois que as migalhas já tenham caído por completo de minha
mão, porque ao olhar pra trás eu vejo tanta gente sorrindo pra mim que sinto um
abraço tão apertado e forte, que eu me sinto seguro quando o futuro bater a
minha porta.
A quem foi, a quem ficou, a quem apareceu, a
quem me reinventou, a quem caminha comigo, a todos que de alguma força tem uma
ligação com minha alma, que as migalhas em suas mãos caiam e se encham daqui a
algumas horas, cheio de um futuro imenso. Na balança, 2017 foi um ano que
aprendi muito comigo mesmo, e que tenha sido a todos assim, 2018 está ai então
vamos evoluir mais uma vez. Paz e amor a todos.














