quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A lacuna.


Não vou me declarar muito menos vou hesitar de dizer o que eu to querendo. Não quero atrapalhar seus planos, sua viajem programada, sua vida, seus relacionamentos, nem o seu despertador para te acordar. Acho que já percebeu que eu nem consigo mais lutar, as palavras já preencheram uma lacuna em que eu sentia falta, sua presença dentro de mim foi preenchida por palavras. E um tanto triste dizer isso, sim é triste, é melancólico, é choroso, mas não tenho do que reclamar. A vida foi me moldando até hoje, e vai me moldar mais e mais, até o ponto que eu olhe e pare de escrever sobre as palavras que me preenchem. Então você deve estar em duvida, se estou escrevendo para você, te responde em seguida, não é só para você, e sim para todos ao meu redor. Não são todos que deixaram essa lacuna que você abriu, muito pelo contrario, diversas pessoas vem tentando preencher, mas nunca vai ter como preencher, e você sabe o porquê. Disse no inicio que não seria uma declaração, mas na verdade já virou uma declaração, não se ache e pense que é para ter essa lacuna de volta, você nunca terá ela de volta. Pois tudo o que aconteceu, tudo que se foi falado, toda a ação que teve me abriu mais ainda, e foi preenchida, por palavras de quem tentou preencher. Mas não foi preenchida por alguém, ou por quem, e sim por todos que tentaram, foi como eu não tivesse nada, e agora estou quase de volta ao que eu era. Posso estar mais quieto, posso estar mais alegre, posso ser outro, mas eu acho que finalmente posso dizer que com todas essas palavras, minha lacuna está fechada, e enfim estou cicatrizado, pronto para continuar, bem devagar, pois ainda não consigo lutar, mas aos poucos vou tentando, e cada vez mais vai me afastando de tudo que um dia me foi feito, e me rasgou, ao invés de me completar, porque o que me completa, hoje sim está ao meu lado. Por fim, pode colocar o seu despertador de volta, porque não vai ser eu, quem vai criar uma lacuna em você.


Matheus Hodniuk.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O teatro.



Feche a cortina, ta entrando muito sol, não quero nada de luz nessa minha escuridão que me vem deixando, e me deixando, e me deixando, não consigo definir como ela vem me deixando, apenas deixe essa cortina fechada. Como em uma apresentação de teatro, fiz o meu melhor papel em cima do palco, fiz com que todos notassem no que poderia ter sido, ou no que eu seria, ou fui, e agora ta na hora de descansar, me deixe deitar aqui na sua cama, ta bagunçada, é da forma que eu gosto, bagunça e sem notar absolutamente nada, e ao fim desse teatro se deve puxar a cortina, o espetáculo acabou. Não permanentemente, mas essa sessão tem de estar acabada, já sinto as veias dos meus olhos latejarem de tanto reprimir elas ao olhar para você, é você forma a minha vista, não sei a que ponto isso está certo. Enquanto os holofotes estão virados ao meu rosto eu me apresentava  para sua presença, enquanto as cortinas estavam abertas, e a claridade vinha de encontro ao meu rosto, e meu olhos ainda incansáveis de te olhar. O meu ponto fixo era o espelho da sua presença, eu percebia que estava sendo recíproca a troca de olhares, mas como poderia continuar me olhando, ou olhando você, isso me deixou extremamente confuso. Chego ao ápice da minha apresentação, todos me notaram e você com um feixe se deixou levar, e já partiu o espelho, com isso eu só conseguia deixar minha visão mais nebulosa do que era antes de subir aqui, ao menos eu consigo me apresentar, não enxergo nada, essa luz está me deixando cego, devo estar com uma cara de perdido, mas no fim eu sou e estou perdido mesmo. É agora acabou, me dobro esperando aplausos ou aprovações, sou o rei de mendigar afirmações dos outros, ao concederem isso me torno o olhar para o meu antigo espelho, e só vejo os pedaços destroçados a minha frente, e desisto disso, deixo minha visão embaçada e as veias se desgastarem para próxima vez. Com esse término só te peço, feche logo essa cortina, amanhã tenho de voltar a me apresentar, mas agora vem um pedido, não deixe o espelho se quebrar novamente.


Matheus Hodniuk

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Interessante?


Faz um tempo que já deparo em como as pessoas tem se influenciado para aparecer ou mostrar algo que realmente não é. Usam desculpas como mudanças, virar o jogo, querer ser diferente do que é, mas na verdade só fazem isso para estar no estereótipo desejado de alguém. Então não me calo e me faço à pergunta, onde estão as pessoas interessantes? Porque anda bem difícil distinguir se você é mesmo daquele jeito, se tem como eu me interessar por você, eu nem sei o que você é, se é essa Barbie toda pomposa, ou se é essa Punk cheia de atitude. Faz tempo que eu não acho nada interessante em ninguém, sempre tem aquele estalo de vontade de conhecer a pessoa pela beleza, ou pelo jeito dela, mas ao conhecer você nota que não tem nada, aquilo ta mais perdido que você mesmo, e volta tudo a estaca inicial. Posso não ser dos mais interessantes também, talvez isso faça as pessoas interessantes não irem ao meu lado, é uma teoria, mas está destinada ao fracasso. Há alguns anos atrás eu me interessava por milhões de pessoas, e conhecê-las era melhor ainda, parecia que o laço ficava maior, e a pessoa ficava cada vez mais interessante. Mas agora, agora não, agora é sempre a mesma conversa, a mesma bebida, e na maioria das vezes até o mesmo cheiro. Não me tornei um rabugento, reclamão do estilo das pessoas, o problema é que as pessoas não têm mais o SEU estilo saca? Tudo me aparenta sempre do mesmo jeito, é chato isso. Imagina sair da sua casa, ir a um lugar onde você vários estilos de pessoas e de tribos, cada um com a sua causa e estilo de conversar, ou se vestir ou se amar, é uma vontade de lugar que eu ainda não conheci, aonde vou é tudo igual, tudo monótono e sem cor. Não quero intrigas nem brigas, só estou tentando entender o porquê de gostar de ser igual a todo mundo, não que ser o diferente seja super legal, hoje em dia chega a ser estranho, mas é mais alegre. Só tenho o pedido de fazer com que as pessoas voltem a ser elas, tentem largar essa zona de conforto de se parecer com alguém que você diz ser descolado, seja mais você, e assim você vai se tornar mais interessante a todos ao seu redor.


Matheus Hodniuk