Minhas pupilas diminuem, eu entro em um transe comigo mesmo,
mas na verdade eu me acho é bem perdido na verdade. Fecho o meu redor junto com
as cortinas do meu quarto, crio a minha caverna pessoal de pensamentos, fica
tudo tão solitário e prazeroso. A quem acendesse um cigarro e olhasse a fumaça
se desenhar na sua frente, pena eu não
ter esse cigarro e poder fazer os
desenhos em minha mente. Liberdade de pensamentos ou liberdade de expressão
cabe na mesma teoria, eu estou sufocado dos dois lados, ta difícil manter esse
meu corpo aprisionar minha alma que já foi tão leve e tão doce. Lembro de tudo
que eu me prometi a fazer, e tudo se vai junto com o feixe de luz que adentra o
meu quarto, vou fechar bem fechado a cortina, não quero luz agora não. Na mão
sempre com uma caneta e na outra o papel, já me cansei disso, não quero anotar
nem fazer nada, acho que deitar na cama sem fazer nada pode ser o meu futuro
mais prazeroso. Não quero ficar preso em uma jaula, mas no fim você percebe que
eu mesmo me enjaulei nessa escuridão que eu fiz do meu quarto, mas não se va
assim fique pelo menos aqui nos meus pensamentos, é tão solitário sem você.
Devo ficar com uma roupa confortável, porque essa já parece uma camisa de força
de tão sufocante que eu estou, bom eu acho que é da roupa, ou talvez seja de
outra coisa, não sei. Já ia me esquecendo dessa minha dose, toda vez que eu a
tomo me dói o peito e faz a minha garganta queimar, acho que em qualquer boteco
deve vender ela, ou em cada esquina. Então vou tomar esse meu gole da dose, e
ali no canto eu encontrei o meu ultimo cigarro, finalmente vou poder desenhar
com os meus olhos, e tentar soltar um pouco aqui. Tomo um pouco da minha dose
de saudade, acendo o meu cigarro e já na primeira tragada sinto meu coração
acelerar, sinto que vou desenhar bem hoje, ao soltar a fumaça noto o desenho se
tornando alguém. Como não sou artista nenhum o meu desenho não está parecendo
ninguém, opa mentira ele ta criando uma forma bem estranha, ta com um pouco de
cada uma das pessoas que criaram a minha dose, a dose que me queima ao engolir
seco, e acelerar e doer o peito em seguida. Por fim já desenhei, já bebi, já
fumei, agora fecho tudo das cortinas ao meu olhar, só quero dormir, me deixe
aqui no meu futuro prazeroso, caso você de tantas formas queira aparecer, se
aconchegue, só, por favor, não abra essa cortina, não quero claridade por aqui.
Matheus Hodniuk.

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