quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Perfume.


Ando notando como a caminhada desse viajante pode estar em um turbilhão de momentos e de sentimentos. Mas eu aposto que a sombra que se tornou do lado dele virar algo real talvez assim ele se assente de novo, talvez o prumo da vida dele possa ser a falta de algo do lado dele. Ele comentou que um dia seu peito dolorido de tanto respirar fundo e só sentir as fumaças da rua, começou a se limpar por um perfume especifico que ele sentiu em uma noite um tanto quanto não sonhada, que talvez fosse mera ilusão, mas não foi. O dia em que ele sentiu pela primeira vez um perfume forte e doce ao mesmo tempo, algo que o pulmão desse rapaz nunca havia sentido ou penetrado em seu corpo, o êxtase que ele sentia era tremendo que suas mãos chegavam a formigar de tanto que ele pensava nas horas seguintes, sem prestar atenção no momento. Esse poderia ser o maior defeito do viajante solitário, colocar tanto os dias do amanhã a frente de apenas o hoje, de apenas perceber o quão ele pode se transformar em alguns milésimos, o dia de amanhã sempre é obscuro para ele. Mas ele retorna seu pensamento em apenas uma coisa, que é o doce perfume que corta e o perfura, introduzindo todo o seu cheiro e seu jeito dentro do viajante. Voltando de novo ao tempo em que ele limpou os seus pulmões pela ultima vez e desde então ele só respira coisas que o trazem acima, como se fosse a gasolina de um carro ou a droga de um viciado, ele ficou aficionado. Mas na noite em que o perfume lhe foi apresentado o viajante não havia notado o quanto aquele odor poderia mexer em tudo que ele teria programado ou pensado um dia, em todas as coisas cinza e escuras que vinham e iam de você, no caminho ao encontro desse perfume, filmes e mais filmes passavam pela sua cabeça como mini vídeos, afinal o viajante sempre teve o dia de amanhã mais importante do que o momento de agora, isso o fazia um tanto solitário consigo mesmo. Mas ele decidiu encontrar o tal perfume sem um medo do amanhã, deixando ele com um medo de tudo e ao mesmo tempo um anseio de ter uma nova respiração para ele. Talvez o viajante tenha encontrado no perfume o que pessoas possam procurar por um milhão de anos e nunca vão encontrar talvez esse perfume seja a fragrância tão única que não são todos que conseguem sentir ela de verdade, o casulo onde se tem o perfume é forte e difícil de quebrar, mas o viajante não precisou nem ao menos quebrar. Ao encontro do perfume o viajante ficou um pouco confuso com tudo que se passava em sua cabeça e em seu dia mais uma vez, tímido do jeito que ele sempre foi, mas com um toque de conhecer algo novo, ele se aventurou de vez. Ele pensava que se a fragrância pudesse caminhar com ele por tudo que ele pensava em caminhar, assim ele caminharia os passos da fragrância também, fazendo uma passagem um tanto quanto química de um para o outro. Assim o viajante se olha bem ao seu fundo esperando a fragrância continuar forte dentro dele mesmo como a fragrância deve esperar algo dele, o mais importante é que nunca mais dentro do viajante foi cinza ou obscuro, de alguma forma o perfume que adentrou nele vai ficar para sempre, deixando tudo em tons mais fortes e mais vivos, quem sabe o perfume aceite caminhar com o viajante por todos esses picos altos e alguns baixos, o importante foi que o viajante percebeu o quanto o perfume é importante pra ele a ponto de não se sentir mais solitário consigo mesmo e os dias serem mais aproveitados do que os amanhãs.

Matheus Hodniuk.

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