Ando notando como a caminhada desse viajante pode estar em
um turbilhão de momentos e de sentimentos. Mas eu aposto que a sombra que se
tornou do lado dele virar algo real talvez assim ele se assente de novo, talvez
o prumo da vida dele possa ser a falta de algo do lado dele. Ele comentou que
um dia seu peito dolorido de tanto respirar fundo e só sentir as fumaças da
rua, começou a se limpar por um perfume especifico que ele sentiu em uma noite
um tanto quanto não sonhada, que talvez fosse mera ilusão, mas não foi. O dia
em que ele sentiu pela primeira vez um perfume forte e doce ao mesmo tempo,
algo que o pulmão desse rapaz nunca havia sentido ou penetrado em seu corpo, o
êxtase que ele sentia era tremendo que suas mãos chegavam a formigar de tanto
que ele pensava nas horas seguintes, sem prestar atenção no momento. Esse
poderia ser o maior defeito do viajante solitário, colocar tanto os dias do
amanhã a frente de apenas o hoje, de apenas perceber o quão ele pode se
transformar em alguns milésimos, o dia de amanhã sempre é obscuro para ele. Mas
ele retorna seu pensamento em apenas uma coisa, que é o doce perfume que corta
e o perfura, introduzindo todo o seu cheiro e seu jeito dentro do viajante.
Voltando de novo ao tempo em que ele limpou os seus pulmões pela ultima vez e
desde então ele só respira coisas que o trazem acima, como se fosse a gasolina
de um carro ou a droga de um viciado, ele ficou aficionado. Mas na noite em que
o perfume lhe foi apresentado o viajante não havia notado o quanto aquele odor
poderia mexer em tudo que ele teria programado ou pensado um dia, em todas as
coisas cinza e escuras que vinham e iam de você, no caminho ao encontro desse
perfume, filmes e mais filmes passavam pela sua cabeça como mini vídeos, afinal
o viajante sempre teve o dia de amanhã mais importante do que o momento de
agora, isso o fazia um tanto solitário consigo mesmo. Mas ele decidiu encontrar
o tal perfume sem um medo do amanhã, deixando ele com um medo de tudo e ao
mesmo tempo um anseio de ter uma nova respiração para ele. Talvez o viajante
tenha encontrado no perfume o que pessoas possam procurar por um milhão de anos
e nunca vão encontrar talvez esse perfume seja a fragrância tão única que não
são todos que conseguem sentir ela de verdade, o casulo onde se tem o perfume é
forte e difícil de quebrar, mas o viajante não precisou nem ao menos quebrar.
Ao encontro do perfume o viajante ficou um pouco confuso com tudo que se
passava em sua cabeça e em seu dia mais uma vez, tímido do jeito que ele sempre
foi, mas com um toque de conhecer algo novo, ele se aventurou de vez. Ele
pensava que se a fragrância pudesse caminhar com ele por tudo que ele pensava
em caminhar, assim ele caminharia os passos da fragrância também, fazendo uma
passagem um tanto quanto química de um para o outro. Assim o viajante se olha
bem ao seu fundo esperando a fragrância continuar forte dentro dele mesmo como
a fragrância deve esperar algo dele, o mais importante é que nunca mais dentro
do viajante foi cinza ou obscuro, de alguma forma o perfume que adentrou nele
vai ficar para sempre, deixando tudo em tons mais fortes e mais vivos, quem
sabe o perfume aceite caminhar com o viajante por todos esses picos altos e
alguns baixos, o importante foi que o viajante percebeu o quanto o perfume é
importante pra ele a ponto de não se sentir mais solitário consigo mesmo e os
dias serem mais aproveitados do que os amanhãs.
Matheus Hodniuk.
Matheus Hodniuk.

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