quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O teatro.



Feche a cortina, ta entrando muito sol, não quero nada de luz nessa minha escuridão que me vem deixando, e me deixando, e me deixando, não consigo definir como ela vem me deixando, apenas deixe essa cortina fechada. Como em uma apresentação de teatro, fiz o meu melhor papel em cima do palco, fiz com que todos notassem no que poderia ter sido, ou no que eu seria, ou fui, e agora ta na hora de descansar, me deixe deitar aqui na sua cama, ta bagunçada, é da forma que eu gosto, bagunça e sem notar absolutamente nada, e ao fim desse teatro se deve puxar a cortina, o espetáculo acabou. Não permanentemente, mas essa sessão tem de estar acabada, já sinto as veias dos meus olhos latejarem de tanto reprimir elas ao olhar para você, é você forma a minha vista, não sei a que ponto isso está certo. Enquanto os holofotes estão virados ao meu rosto eu me apresentava  para sua presença, enquanto as cortinas estavam abertas, e a claridade vinha de encontro ao meu rosto, e meu olhos ainda incansáveis de te olhar. O meu ponto fixo era o espelho da sua presença, eu percebia que estava sendo recíproca a troca de olhares, mas como poderia continuar me olhando, ou olhando você, isso me deixou extremamente confuso. Chego ao ápice da minha apresentação, todos me notaram e você com um feixe se deixou levar, e já partiu o espelho, com isso eu só conseguia deixar minha visão mais nebulosa do que era antes de subir aqui, ao menos eu consigo me apresentar, não enxergo nada, essa luz está me deixando cego, devo estar com uma cara de perdido, mas no fim eu sou e estou perdido mesmo. É agora acabou, me dobro esperando aplausos ou aprovações, sou o rei de mendigar afirmações dos outros, ao concederem isso me torno o olhar para o meu antigo espelho, e só vejo os pedaços destroçados a minha frente, e desisto disso, deixo minha visão embaçada e as veias se desgastarem para próxima vez. Com esse término só te peço, feche logo essa cortina, amanhã tenho de voltar a me apresentar, mas agora vem um pedido, não deixe o espelho se quebrar novamente.


Matheus Hodniuk

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